Curiosidade

Os franceses

EPor Equipe Braziw6 min de leitura
Os franceses

Hoje aqui no nosso blog, estarei falando um pouco sobre as famílias francesas.

Na França, existe um variado número de composições familiares, o que torna difícil falar em um tipo predominante, como seria a família nuclear, composta por pais e filhos. No entanto, ao se examinar o comportamento e o modo de vida dos franceses nos últimos trinta anos, podem-se identificar algumas tendências: a do aumento do número de pessoas vivendo sozinhas, das famílias monoparentais e dos casais sem filhos, assim como a diminuição da proporção de casais com filhos e de arranjos familiares mais complexos, isto é, aqueles em que vivem sob o mesmo teto com outras pessoas além de pais e filhos, independentemente de suas relações consanguíneas. 

De 1968 a 1999, data do último censo demográfico realizado na França, a proporção de homens vivendo sós dobrou e a de mulheres aumentou em um terço, fazendo com que o percentual de residências com uma só pessoa passasse de 20% a 30%. A quantidade de famílias monoparentais mais que dobrou, passando de 3% a mais de 7%. Já os casais sem filhos, que em 1968 representavam pouco mais de 1/5 dos lares, ocupam atualmente 1/4 das residências francesas, enquanto os casais com filhos diminuíram de 36% para 31,5%. Mas a grande redução foi registrada nos arranjos familiares complexos, que caíram de 20% para 5% dos lares, provavelmente devido ao crescente número de idosos que deixaram de morar com seus parentes e passaram a viver sós. Ao se examinarem os dados estatísticos sobre o modo de vida das pessoas, conforme a sua idade e sexo, é possível compreender um pouco melhor a dinâmica familiar dos franceses nos dias de hoje.

Dos 30 aos 44 anos, mais de 60% das francesas e franceses têm filhos e vivem com os seus respectivos companheiros e companheiras, casados ou não, embora cerca de 10% das mulheres, entre 30 e 59 anos, sejam chefes de famílias monoparentais, isto é, vivem apenas com seus filhos e sem companheiro. Entre os 45 e 59 anos, a maior parte dos homens (59%) e grande parte das mulheres (42%) ainda vivem juntos com seus filhos em casa, mas 1/3 delas e mais de 1/4 deles já se encontra vivendo apenas um com o outro, seja porque se uniram tardiamente e não tiveram filhos, seja porque os filhos comuns, já crescidos, saíram de casa para levar as suas vidas independentes. 

Ao chegar à terceira idade, entre os 60 e os 74 anos, a maioria dos homens e mulheres encontram-se vivendo juntos sem qualquer outra pessoa em casa, embora mais de 1/4 das senhoras já viva sozinha. Depois dos 75 anos, quando a população feminina já supera em muito a masculina, quase metade das mulheres se encontra morando só, enquanto apenas 1/5 dos homens vivem nessa condição; a maior parte deles (62%) segue ainda vivendo com sua companheira graças à maior longevidade feminina. Por essa razão é que a proporção de homens idosos vivendo em habitações coletivas, como asilos e casas de repouso, é a metade da de mulheres (21,6%). Paris, provavelmente mais do que qualquer outra cidade da França, é uma cidade de pessoas velhas, sobretudo de senhoras idosas.

Nas regiões mais centrais e turísticas da capital, encontram-se mais jovens, devido, sobremaneira, à grande população estudantil, além de muitos turistas franceses e estrangeiros, o que faz a idade média da população parisiense baixar estatisticamente. Mas, nos bairros mais residenciais de Paris, a quantidade de velhinhos e, especialmente, de velhinhas, é enorme. Poucas imagens são mais tipicamente parisienses do que a de uma velha senhora, baixinha e miúda, com seus gorros e mantôs de lã ou de pele, andando pela rua carregando seus pequenos pacotes de compras ou subindo e descendo dos ônibus da cidade. 

Em Paris e na França, em geral, os idosos têm presença marcante e são respeitados. Nenhum motorista de ônibus ousaria dar arrancadas ou freadas bruscas, o que certamente provocaria quedas e acidentes graves entre a numerosa população idosa transportada diariamente e em todos os horários, e incitaria a indignação e o vivo protesto dos demais passageiros. Por isso os idosos não têm medo de sair à rua, tomar ônibus, metrô, ir às compras e frequentar museus e teatros. Os velhos, além de serem louvavelmente respeitados pelo conjunto da população, desempenham uma função essencial ao equilíbrio e manutenção da sanidade mental dos franceses e, em especial, dos parisienses. Com suas limitações físicas e lentidão de movimentos decorrentes, eles representam um contraponto salutar à ansiedade em que vive a maior parte dos franceses, que estão sempre apressados, reclamando e bufando por tudo e por nada, mas que diante de um lento e atrapalhado, mas simpático e risonho ancião ou anciã, sentem-se constrangidos a retomar o seu controle e a manter a civilidade da qual tanto se orgulham e que os fazem ser respeitados pelo resto do mundo. 

A França e os franceses envelhecem a olhos vistos. E, nesse processo de envelhecimento, amadurecem. O fervor revolucionário de 1789, 1830, 1848 e 1870 não mais os anima nem toca os seus corações. Os franceses de hoje são cada vez mais conservadores, mas não reacionários. Seguem tendo uma perspectiva que se pretende aberta e fraterna sobre o mundo; querem levar os seus valores até onde for possível e forem bem acolhidos, mas sem a pretensão de querer vê-los hegemônicos. A hegemonia cultural deixou de ser perseguida por eles, que hoje se contentam em verem-se como uma alternativa cultural e civilizatória no mundo globalizado e crescentemente americanizado. E, nesse ponto, não lhes falta o que mostrar e oferecer ao mundo. Os franceses têm um sentido estético muito aguçado, que se revela nos cuidados que têm com os detalhes e pequenas coisas que os cercam e povoam o seu cotidiano. E nisso eles são, incontestavelmente, imbatíveis.

Espero que tenham gostado deste texto que é mais a título de curiosidade sobre os costumes dos franceses e a vida na França.

Até o próximo blog! Com mais dicas e curiosidades sobre a França e os franceses!

Este texto foi extraído do livro: Os Franceses de Ricardo Corrêa Coelho.

← AnteriorENEM para estudar na FrançaPróximo →A Importância das Imagens no Aprendizado de um Idioma

Pronto para viver o francês na prática?

Aulas, certificações e intercâmbios para você ir além da curiosidade.

Quero saber mais